Índia: uma invenção moderna

Na mente romantica do ocidental, condescendente porque ainda tem rasgos do paternalismo colonial, ou simplesmente por ser ultra idealista, os indianos sempre foram um povo muito gentil que aceitaram e integraram as mais diversas culturas que chegaram à “sua” Índia...Ora, eles não são assim tão bonzinhos e tolerantes.

De facto, continuam a absorver muito de outras culturas, como sempre.
A “Índia” é uma invenção moderna, e ate ocidental, que os próprios indianos estão a tentar assimilar, tentando com grande ímpeto e dificuldade criar uma identidade indiana. Antes de meados do século xx nem existia formalmente tal nação, e ainda agora é dificil manter aqueles ex reinos todos, com a sua hiperdiversidade cultural, juntos e em sã convivência. Tanto que há partes constantemente a lutar por autonomia e independência. O mais engraçado é que muitos indianos abraçaram o nacionalismo com grande impeto, e esse nacionalismo indiano afirma-se primeiramente contra ocidente, contra a Europa, contra os britânicos... Esquecem-se é que o próprio “ismo” nacionalismo é algo tipicamente europeu. O nacionalismo foi a grande religião europeia do seculo xix e básicamente implodiu com as duas grandes guerras mundiais no seculo xx. Os indianos (e pakistaneses, cidadãos do bangladesh, etc) ainda estão a reviver os ismos ocidentais do passado. O neo-nacionalismo é tipico de países jovens e multiculturais, que precisam de unir-se e entender-se a si mesmos. Os neo-nacionalismos sao todos parecidos, com a falta de identidade a tentar afirmar a sua perfeita ideaçao. É isso que os indianos, nomeadamente os politicos e intlectuais, estao a tentar fazer: (re)inventar uma identidade para si mesmos. Claro que os mais interessados nesse nacionalismo sao essencialmente os politicos e outros líderes, nomeadamente os “líderes espirituais”, todos sedentos de poder, que seduzem e manipulam as grandes massas com os seus discursos populistas. Na índia é assim ainda mais do que no ocidente porque o nível cultural é ainda mais baixo, e porque an Índia, tal como na Europa até há poucas decadas, os líderes espirituais lidam com o seu poder politico sem falsos pudores e colobaram com os politicos própriamente ditos.

Qual foi o grande designio da Índia pós independencia? Modernizaçao via implementaçao de industrias pesadas. “As fabricas sao os novos templos” dizia Nerhu, o pai da nova democracia, de tendências ateias e anti religiosas, essencialmente um socialista. Não é de espantar, pois quase todos os principais actores que promoveram e impulsionaram os movimentos nacionalistas da Índia (e do Pakistan, etc), foram educados no ocidente sob modelos ocidentais, nomeadamente na Grã-Bretanha e suas ex-colonias imperiais.

Qual é a capital da Índia? R: Nova Delhi. Sim, a nova, a construida pelos britanicos, a que ele fizeram capital dessa parte seu imperio. Qual é a obcessao nacional numero um da Índia? R: O cricket! Os hindus sao todos vegetarianos e abestémios? R: não. A maioria come frango e bebe cerveja, e outras “iguarias” mais espirituosas que espirituais! Quais as empresas em mais rápido crescimento na Índia? R: MacDonald's e afins. Qual é a grande aspiraçao de um jovem indiano actual? R: Ser estrela de cinema ou TV. Qual a música preferida da juventude? R: Hip Hop e outros pops afins. Qual a roupa que mais se veste, saris e pijamas? R: Levis e D&G. Tudo do mais familiar...
A Índia moderna tem recalques, sentimentos reacionários anti colonialistas, anti-europeistas, mas no entanto a Europa continua a fasciná-la e influênciá-la no essencial. Por exemplo: o dinheiro é cada vez mais o factor predominante na hierarquia social, e não já a casta, seguindo assim o modelo de classes sociais do ocidental. Outro exemplo: a lingua franca é o inglês, e não o hindi ou qualquer outra linguagem, e desde logo não o sânscrito que há muitos séculos já só interessava a uns poucos brahmanes, e principalmente para deterem poder religioso e executar rituais. Tal qual a igreja católica ainda há poucas décadas ainda realizava a sua missa em latim. Os indianos voltaram a valorizar parte da cultura antiga, nomeadamente os textos vêdico-brahmânicos só depois que os europeus os traduziram e começaram a interessar-se por eles. Caso mais explícito: o Bhagavad–Gíta que após a transliteraçao e tradução do sânscrito para o inglês, e deste para o hindi, passou a ser extremamente popular. Quem fez essa primeira traduçao? Não foi um hindu... O próprio yôga só voltou a ser popular e socialmente relevante (na realidade continua a ser uma parte da cultura marginal que interessa a pouquissimos indianos) à medida que mais e mais ocidentais o requisitaram e rumaram a oriente levando os bolsos cheios de doláres e os depositavamos com veneraçao e submissao aos pés dos gurus. Agora há milhares de gurus, todos prontos a oferecer-lhe yôga prêt-a-portê! O sistema de ensino tradicional, a tradição oral de mestre-a-discipulo reunidos e pequenas familias, seitas e ashrams, está a ser definitivamente substituido pelo modelo ocidental resultante da revolução industrial: a educação de massas. A Índia vagueia por entre a tentativa de manter um regime democrático (também um modelo europeu) e pela inveja da China com o seu modelo bem sucedido de comunismo capitalista (otros modelos economicos europeus). Na prática a Índia tem tido, após a independência (cedida, e não conquistada como muitos gostam de imaginar), uma politica de Estado centralista (e dominada semi-ditadurialmente por castas familiares) que tentou reformar o país sob modelos essencialmente europeus.

De repente establecem-se sinapses na minha cabeça e vejo que há um país que faz lembrar muito a Índia: o Brasil! Duas grandes potencias a despontar e a mostrar que um pouco de caos potencia o florescimento de Vida. Duvido que os brasileiros ou indianos concordassem... Hoje a Índia, tal como o Brasil, é uma potencia nuclear emergente muito as custas do liberalismo selvagem resultante da inoperancia do Estado e de muitos milhoes de miserávéis que garantem mao de obra barata disponivel que as classes médias e altas crescentes poem a render. Brasil e Índia sao muito parecidos em muita coisa. A Índia ainda com muito mais pobreza, o Brasil com mais violência. Se é que a miséria não é a maior de todas as violências.

A Índia também se afirma por reacção ao Pakistan e ao seu islamismo nacionalista e radical, apesar de a Índia ser um dos principais países islamicos do mundo, com muitos de milhoes de muçulmanos. Aliás, o periodo de maior esplendor económico, artistico e arquitéctónico da Índia foi o periodo mongol, islamico, quando a Índia era o verdadeiro centro militar, económico e cultural do mundo. Não nos deixemos enganar pelo facto do actual primeiro ministro não ser hindu, e ter sido designado e controlado pelo partido do Congresso (por genetica, nacionalista e hindu). Mais que real tolerancia é mera conveniencia. A figura mais popular e forte do partido do Congresso não era facilmente tragavel porque é italiana de nascença, entao fica na sombra a controlar e manter o poder da familia de sobrenome Gandhi (nada a ver com O Gandhi) e colocou a frente um senhor de low profile mas com boa fama no que a finanças e economia diz respeito. Deu certo. O que os indianos mais querem, tal como qualquer europeu ou chinês, é que a economia funcione bem, querem crescer económicamente, ganhar mais dinheiro. Aliás, depois dos chineses, poucos povos terao um faro tao apurado para os negócios e tanto apetite pelo dinheiro. Conheço um indiano que dizia “money is honey”. E a sua famosa “espiritualidade” vive perfeitamente bem com isso, sendo absolutamente comum adorar Ganesha para obter boa sorte, Parvatí para prosperidade, e Durga para poder! Só os ocidentais, com as necessidades básicas há muito superadas até em excesso, e por isso totalmente idealistas (ou simplesmente perdidos) é que vao à Índia procurando deixar para trás o materialismo e em busca de “espiritualidade pura”, seja lá o que isso for...
E sobre a “tolerancia”religiosa o que se pode dizer é isto: é um vulcao que de vez em quando entra em violenta actividade, quando algum líder ou comunidade vê nisso oportunidade de fazer prevalecer os seus interesses na busca de poder. Mas no geral dao-se todos mais ou menos bem, e nisso o dinheiro é muito mais relevante que as mil e uma religiosidades que co-habitam. Tal como nos EUA também é muito mais improtante o $ que a etnia, e lá por isso não vamos ignorar que nesse país há um problema racial...
Na sua afirmação nacionalista, nessa tentativa de forjar uma identidade indiana, os indianos andam muito atarefados a tentar reconstruir o seu passado, procurando (e encontrando, pois quem procura encontra) as raízes daquilo que seria a sua cultura milenar, o tal de santana dharma, que os estrangeiros deternimaram chamar genericamente de hinduísmo. Acontece que aquilo que agora chamamos Índia pode ter algumas raízes muito antigas, mas não é bem só uma (e unida) grande arvore (cultural). Na realidade é uma floresta cheia de muitas e diferentes arvores, cada uma com as suas raízes misturadas com as demais, cada uma com multiplos ramos, frutos, sementes. Por vezes enxertam-se umas nas outras, outras vivem simbióticamente, ou como parasitas, e na maioria dos casos simplesmente competem entre si. Numa floresta destas, miscegenada há milénios, não faz sentido declarar que uma qualquer arvore é mais “autentica”, mais “verdadeira”, mais “original”! Uma figueira com 1000 anos é mais autentica que uma de 100? Ambas sao mais verdaeiras que uma oliveira de 500? Ou mais originais que um laranjal de 10? Discussoes sobre o que é mais “autentico” e “verdadeiro” nas culturas da Índia sao pura demência, até porque na Índia o antigo está perfeitamente mezclado com o moderno, e não se sabe onde começa uma coisa e acaba a outra. A Índia, como a Vida, é eterna no momento, agora, na sua regeneraçao permanente. No aqui e agora a Índia é autentica e verdaeira. No passado encontram-se alguns fosséis. E claro que muitos historiadores vêm mais Vida nos fosséis que na sua própria Vida cotidiana. E a História, esse presente a retro-imaginar-se, é sempre aproveitada por academicos, politicos, e todo tipo de idealistas manipuladores, para reinventar o presente segundo as suas ideias e desejos. Isso vê-se actualmente na Índia, a re-escrever o seu passado para unir um país. Mas enquanto a globalizaçao e seus movimentos não reduzem tudo 0 (em breve o mundo vai ser como “o” Hinduísmo, “uma” confusao), o que mais caracteriza a cultura hindu, é a hiperdiversidade, é a efemeridade, fusao, reaçao, regeneraçao continua. Permanente reinvençao devida a tradiçoes orais pouco fiávéis, por influências de todos os povos que foram invadindo e influênciando pacificamente, militarmente, comercialmente, culturalmente, etc., pelos multiplos movimentos de renovaçao, reaçao e restauraçao “internos”, assim como, agora, pela reinvençao através da economia e cultura global. Tudo isso misturado esculpiu essa (con)fusao que carateriza o dito Hinduísmo. A “cultura hindu” (ainda) é a mais diversificada, plural e contraditória que existe. E essas influências tão dispares são o que mais carateriza o dito Hinduísmo, que na sua hiperdiversidade é indefinivel e inapropriável, até por indianos! Essa é a sua maior riqueza e fortaleza, a diversidade, nao uma pseudo "autenticidade", ou suposta “originalidade” e unidade. Querer achar um "verdadeiro hinduismo" é uma pretensao, e um reducionismo. Pensemos em multiplos, não em “um”. Num vai sendo, não num é (obtuso). A própria palavra "Hinduísmo" é um estrangeirismo, que foi usado primeiro pelos antigos persas, creio. Mais recentemente os ingleses usaram-no como termo genérico para designar aqueles que nao eram muçulmanos ou sikhs. "Hinduísmo" é uma... nao coisa! É mais uma marca que os europeus deixaram na Índia. E essa nao coisa contém mil e uma coisas diferentes. Tantas que os ingleses nem se deram ao trabalho de as nomear. Quando alguém se diz hindu isso, por si só, nao quer dizer quase nada. Diz ainda muito menos que alguém dizer-se “cristao”. É como dizer que sou Europeu, ou ocidental. Quanto é que “ser ocidental” diria sobre mim? Quando oiço um ocidental a dizer que se converteu a "hindu" fico a pensar o que raios ele acha que isso é. Será que um indiano diria que passou a ser "ocidental"? Será que está a dizer que não é Sikh ou muçulmano? É "hindu" o quê? Quando oiço esse tipo de coisa em geral nem digo nada, ou digo que “sim sim” (como os indianos, a abanar a cabeça para o lado). É só rir...
Mas é esta a visao que os nacionalistas hindus têm de si mesmos? E a visao da maioria dos ocidentais acerca da Índia?Para um nacionalista indiano hindu, um dos orgulhoso, o que é de louvar é encontrar “provas cientificas” que demonstrem que a sua genética e cultura são “suas” desde há milénios. Que muitos antes de britanicos, portugueses, árabes, mongóis, hunos, gregos, arianos (se é que realmente existiram os ditos arianos) e todos os demais, já existia uma grande civilização muito avançada, com os valores da sua cultura “eterna”, muito avançada...blá, blá, blá... Aliás, outra expressão cultural tipicamente europeia que os indianos ainda estão a assimilar é a divisão epistolomógica dos saberes entre ciência x religião x filosofia x arte. É uma divisão típica da Europa moderna, dos seculos xviii a xix, que surgiu aqui por motivos especificos, mas que os europeus exportaram tão bem com o seu dominio militar-comercial. E os indianos continuam a absorver cultura europeia, que utilizam para...tentar renegá-la! Rsrsrsrrs.

Claro que para um indiano nacionalista, activista do orgulho indiano-hindu (de que o Gandhi, um filho cultural do ocidente, foi um dos impulsionadores populares) tudo isto é insultuoso e inaceitável. Claro que para alguns ocidentais, hippies, idealistas e amantes da Índia, ainda “mais papistas que o papa”, naquela miséria e confusao toda só vêm maravilhas. A mais básica e abjecta crendice e misticismo é profunda espiritualidade, as castas discriminativas sao tradiçao e “organizaçao social indispensacel”, a miséria é pureza e simplicidade, a sujidade é autenticidade, e água do Ganges é limpa e sagrada! E babam-se também...

Uma vez tentei falar com um desses alienados ocidentais acerca do gravissimo problema de sida que afecta o país, e ele rematou logo a questao com “esses veneno que os ocidentais inventaram”. Pois... Também deve ser veneno ocidental a pratica ainda existente de amputar crianças para estas renderem mais dinheiro como pedintes... Cada um vê o que quer. Para mim é engraçado ver ocidentais a colaborar com os nacionalistas hindus, muitos deles radicais e anti-ocidente, no esforço por encontrar a suposta autenticidade e superioridade dessa cultura...

Eu também sou fascinado pela Índia, e pelo hinduismo, ou seja, pelo caos. Gosto das suas culturas, ou pelo menos de alguns aspectos de parte delas. Estudo e até adopto algumas coisas. Como muitos outros desenvolvi um fascínio especial pelo que ali se passa, ou terá passado. Mas não me digo hindu! É bastante útil, senao mesmo absolutamente necessário, manter o discernimento, o sangue frio para olhar com ohos de ver, e não olhos submetidos ao desejo que faz tantos ocidentais ver a Índia pela estreiteza de um canudo, o canudo do idelismo e ambiçao.

E diga-se de passagem que humanidade é humanidade em todo lado. Aliás, isso nota-se particularmente bem na Índia. Nao somos assim tao diferentes a nível de cultura. E sobretudo nao somos assim tao separados. Há uma permuta continua, antiga e moderna. Somos Índia, e a Índia é ocidental também. Foi na, da e para a Índia que começou aquilo que hoje se chama globalizaçao. E o que é moderno e ocidental, só por sê-lo, nao é nem melhor nem pior do que supostamente é antigo e oriental. Gosto muito da Índia, mas é bom ser “ocidental” no aqui e agora.

4 comments:

Maria Helena Avena said...

Interessante o texto do autor mas discordo de muitos pontos. A India é sim uma nação moderna ........em muitos aspectos mas conserva sua tradição secular que dicicilmente será mudada pois já faz parte e é parte desse país . Um país de inumeras faces, onde apesar das diferenças a belexa do povo transcende a tudo. A pobreza embora tragica, aos olhos ocidentais, não é uma pobreza de espírito dada a religiosidade de cada um...Há que se ter os "olhos de ver" e a sabedoria de sentir esse povo. Olhar o belo que exsite em cada pessoa, em cada história, em cada paisagem, em cada templo. Respeitar uma cultura ancestral como respeitamos , ou pelo menos deveriamos respeitar, os nossos país, avós e bisavós.....
A ìndia é um país dos extremos, pois tudo nada esconde dos visitantes, como a dizer EU SOU ASSIM, SE GOSTAR DE MIM, GOSTE APESAR DE TUDO... e assim é. Foi um gradne aprendizado estar lá. aprendi a me conhecer e gostar mais de mim, reconhecer que apesar dos meus defeitos, tinha um lado belissimo e me re-descobri........

Anonymous said...

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